
A seis meses das eleições presidenciais de 2026, os principais pré-candidatos já travam uma disputa intensa — não apenas pelos votos, mas principalmente pelo apoio de partidos de centro nos estados. Essa movimentação é considerada estratégica, já que a força dos palanques regionais pode ser decisiva para impulsionar campanhas nacionais.
Nesse cenário, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com uma leve vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida por essas alianças.
Levantamentos recentes mostram que Flávio já tem articulações encaminhadas em cerca de 18 estados com partidos como PP, União Brasil, PSD e Republicanos. Já Lula mantém acordos semelhantes em aproximadamente 16 unidades da federação com essas mesmas siglas.
Na prática, isso significa que o chamado “Centrão” segue sendo peça-chave na eleição — mas também mostra um cenário longe de ser definido.
Em alguns estados, por exemplo, o PL deve caminhar ao lado da federação União-PP. É o caso do Distrito Federal, onde há indicação de apoio à candidatura de Celina Leão (PP). Na Bahia, o cenário também aponta para uma aproximação entre Flávio e ACM Neto (União), que deve disputar o governo estadual.
Apesar dessas movimentações, lideranças dessas siglas ainda demonstram cautela em relação a um apoio formal ao nome do PL na disputa presidencial. Nos bastidores, há avaliações de que Flávio Bolsonaro ainda precisa sinalizar com mais clareza o tom e a condução da sua campanha.
O presidente do PP, Ciro Nogueira, já deixou claro que a definição deve acontecer mais adiante, provavelmente até junho. Segundo ele, o cenário ainda está aberto e depende diretamente das decisões do próprio pré-candidato.
Enquanto isso, o PT também segue ativo nas negociações. Em alguns estados, como Amapá e Paraíba, partidos do Centrão se aproximam de apoiar Lula, principalmente por conta de alianças locais já consolidadas.
Há também situações mais complexas, como em Pernambuco, onde partidos convivem com alas tanto alinhadas à direita quanto mais próximas do governo federal. Esse tipo de divisão interna tem dificultado a definição de um apoio único.
Dentro do União Brasil, por exemplo, lideranças admitem que, mesmo com acordos pontuais com Lula em alguns estados, a tendência nacional pode ser de aproximação com Flávio Bolsonaro.
Já no Republicanos, o cenário também é dividido. Em estados como São Paulo, a sigla deve caminhar ao lado do PL, enquanto em outras regiões há aproximações com o PT.
O PSD, por sua vez, tem adotado uma estratégia diferente, priorizando alianças com Lula em vários estados. Ao mesmo tempo, lançou o nome de Ronaldo Caiado como pré-candidato, embora ele ainda enfrente dificuldades para consolidar apoio fora de sua base principal.
Nos bastidores, a leitura é clara: o cenário segue indefinido e altamente fragmentado. A tendência, segundo lideranças políticas, é que muitos partidos acabem liberando seus diretórios estaduais para decidirem individualmente, sem uma posição nacional fechada neste momento.
Com isso, a disputa segue aberta — e deve se intensificar conforme o calendário eleitoral avança.
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